24 de julho de 2020
Ainda bate a saudade. Ainda não me imagino a cantar noutro coro ou a viver noutro sítio. Ainda me adoro a ideia de ir a pé a todo o lado de viver estando com pessoas e para as pessoas. Ainda sinto saudades das missas às quartas e aos domingos. sinto tantas saudades das pessoas. Sinto tantas saudades da casa e do estar lá. Hoje veio-me à ideia que o meu desamor à missa é que aqui não é o Peru e este coro não é o coro do Peru. Estou em luto. Num luto que quer ausências e não substitutos. Tenho saudades de cantar em castelhano. Saudades dos ensaios. Tenho tantas saudades que às vezes paro o presente e vivo o passado. Tantas saudades que me faz querer voltar no tempo querer aquela cultura e aquelas pessoas e não outras. Vivo aqui de uma maneira muito diferente. Sou agora tão outra pessoa. E tenho tantas saudades de falar do Peru de escrever do Peru de dar a conhecer o Peru a outras pessoas. Quero falar, quero mostrar, quero dar a conhecer. Por agora viajo na minha memória certa de que não foi uma experiência, foi uma vida. Certa de que tão depressa não vou entrar numa capela nenhuma é a minha. Nenhum coro é o meu. E não tem de ser. Mas quando bate a saudade só se quer voltar lá, a regar as flores e a ver os montes. Assim vos deixo vivendo o passado. E recusando-me a voltar. Por hoje posso. Vou fazer chá e ouvir música em castelhano.
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Dizei de vossa justiça (: