21 de junho de 2020

nem sempre ver mundo significa ver e conhecer pessoas. mas viver o Peru tirou-me os preconceitos que me restavam em relação às pessoas e às famílias. estar no Peru ensinou-me que palavras magoam mais do que podemos imaginar. que as aparências iludem tanto. que as famílias que sorriem mais não são as mais saudáveis e felizes. que as pessoas que sorriem mais nem sempre são as mais felizes. o peru ensinou-me ironicamente que não podemos salvar ninguém de si mesmo nem do seu problema. a vida trata-se de aprender a perder. eu andei a fugir de muitos temas como morte, doenças graves, suicídio, depressão. lembro-me de ler um livro sobre a morte e de me ser difícil digerir. agora neste lugar onde estou a morte começo a tratar a morte por tu. na vida precisei de aprender a perder. precisei de aprender que as pessoas às vezes não querem mais manter o sofrimento e que a eutanásia faz sentido. e quem sou eu para julgar o sofrimento dos outros. é simplesmente arrogante querer decidir por outra pessoa o sofrimento que ela pode tolerar. ou pior obrigá-la a tolerar esse sofrimento. viver no perú fez-me perceber que cada pessoa é imperfeita e tem os seus problemas. para mim interiormente a solução no inicio ainda que não o dissesse era acabar. cortar o mal pela raiz. mas na vida os problemas resolvem-se quando ficamos e os enfrentamos com tudo o que somos, respeitando-nos e respeitando o outro. e que quando o fazemos assumimos que somos imperfeitos, que o outro é imperfeito e que não há isso de relações perfeitas. existem relações imperfeitas que duas pessoas imperfeitas fazem tentar resultar e que com amor podemos colar pedacinho a pedacinho o que a imperfeição às vezes quebra em nós e nas relações.
no perú deixei de ter problemas com a morte, com a perda e com os problemas sociais. existem. todos temos um ou tivemos. todos somos imperfeitos. todos passamos ou vamos passar por algum problema. todos temos relações imperfeitas. porque não existem as perfeitas. e está tudo bem.
cliché ou não o perú também me ensinou que não podemos salvar pessoas dos seus problemas sem elas se salvarem primeiro. não podemos salvar quem não quer ser salvo. só podemos amá-las. fazer-lhes chá. abraçá-las. fazer cafuné. dar-lhes carinho e amor. mostrar-lhes o quanto são amadas. e por isso cada vez mais vivo para amar sem julgamentos.

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Dizei de vossa justiça (: