26 de maio de 2020
coloquei muitas regras e obriguei-me a coisas e ações que não fazem sentido nenhum mas que nos obriguei. se me perguntarem se sou livre eu vou responder-vos que sim sem pensar muito. acho que não tenho noção que estou presa emocionalmente a algo até alguém explicar-me que há a possibilidade de expressar gratidão e deixar ir. de agradecer mas deixar fluir. como se houvesse coisas e pessoas que pensei ter de lidar para o resto da minha vida. porque se me são boas e me são mestres devo mantê-las, não é? pensava eu. não. posso estar extremamente grata e consciente de tudo o que algo ou alguém representa e me ajudou a crescer mas deixar ir. acho que quando o ano passado reparei que tinha ano de revolução pessoal escorpião e li o que significava pensei em pessoas. em deixar ir pessoas. não pensei que fosse com esta profundidade e com esta dimensão. parece que naveguei os sete mares e ainda nem cheguei ao final de maio. nunca me senti tão emocional, tão intuitiva, tão consciente da minha energia, tão consciente de mim e dos outros. com dezasseis anos escrevi que o amor é atirar-se em queda livre sem paraquedas. e a minha sede de controlo e segurança arrepiou-se. o que é certo é que desde então tenho-me atirado uma e outra vez. e não fica mais fácil. não te habituas. a adrenalina não diminui. dizer-vos que me sinto neste momento com a mesma intensidade emocional com que me sentia antes de ir para o Peru pode parecer ironia até a mim que o vivi. mas sinto-o. sinto-o agora. e sei-o. e essa é a confirmação de que o caminho é por aqui. preciso de voltar a sorrir espontâneamente. preciso de ser espontânea. há uma nova paula a nascer. e a outra que cá encontrei já não sou eu. eu sei-o. por isso vou fechar portas e arrumar fases e pessoas. e seguir. é tempo de amanhecer. e quem acredita nestas coisas saibam que com 21 cheguei ao Brasil, com 28 cheguei do Peru. e desde então que sempre me soube missionária do amor. dizem que de 7 em 7 anos mudamos completamente porque todas as células do nosso corpo mudaram completamente. há sete anos senti-me em casa. e ainda guardo no coração com amor o sentimento de acolhimento e amor. nessa eternidade sempre serei casa. mas agora sou casa noutros lugares. e neste agora as eternidades são outras e está tudo bem.
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arrepiei <3
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