15 de julho de 2019


parece que foi outra vida quando há dois anos te chorei a ausência. eu sabia. o meu coração soube que te estavas a ir. eu senti. só não soube explicar. só não te soube fazer ficar – pensava eu na altura. não tinha. não tinhas que ficar. tinhas que partir. tínhamos que abandonar-nos. as nossas vidas precisavam de se descruzar. a vida é como um rio em cada um precisava de seguir o seu próprio caminho até ao mar. um dia caminhamos lado a lado mas quando a vida te distância há que aceitar. há que deixar acontecer. há que deixar a vida acontecer.
não sei se voltarás. já não choro por ti. quando me lembro de ti sei que já não te conheço, sei que já não me conheces. sei-nos estranhos. sei-nos estrangeiros. essa sensação é-me irónica porque parece que numa outra vida ali ao lado eramos companheiros, confidentes, versos de uma mesma moeda. às vezes nem sei que furacão nos aconteceu. mas a quem minto? eu sei. eu só me permiti sonhar. tu só te permitiste sonhar. a vida seguiu. e a verdade é que eu não te sei mais. a verdade é que mesmo que não te sabendo mais ainda te amo. a verdade é que mesmo que me sejas estrangeiro quando os meus braços e os teus voltarem a ser abraço vou-me cheirar-te e saber-me  outra vez em casa. uma casa que ainda não conheço mas que amo sem conhecer. só porque nela estás tu. e eu amar-te-ei em todas as tuas casas, em todas as tuas idades. (mas não contes a ninguém. é segredo)
há almas que nasceram para caminhar juntas. e mesmo que não saiba nada de ti sinto que ainda sei tanto. e mesmo que saiba que há tantas coisas que não sabes e tantas coisas que eu não sei. sei que quando um dia nos sentarmos para finalmente falarmos já como homem e mulher e não como jovens vamos reconhecermos em casa. e rir-nos. porque a juventude é parva. e porque eu permiti-me desmoronar contigo quando tu só querias viver, amar e sonhar.
pode ser estranho mas ao escrever-te ainda choro. como não? és tu. sou eu. conhecemo-nos pelo avesso, pela escuridão e pelas cicatrizes. e a verdade é que ainda que estrangeiros é do teu abraço que mais sinto saudades. e é o teu cheiro que mais tento recordar sem sucesso.
meu amor quando chegar a ti, só quero um abraço e uma garrafa de vinho. o resto nós arranjamos.

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Dizei de vossa justiça (: